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Escrito por Redação Crescer - 23/12/2007 |
Definições de e para crianças Temos tantas situações em que as crianças nos pegam no pulo com perguntas que não sabemos responder, não? Não, não estou nem falando daqueles que deixa a gente vermelha de vergonha. Mas há tantas coisas que simplesmente não podemos definir. A poesia está aí também para isso! Já postei aqui que outro dia adorei uma definição que uma criança deu para biblioteca. “Biblioteca é um lugar cheio de silêncio”. Maravilhoso. Amo definições de criança. A simplicidade, a obviedade, até. As associações, as relações. Só elas sabem fazer isso tão bem.
 Existe o Dicionário de Humor Infantil, do Pedro Bloch, que ele colheu de crianças mesmo. Achei algumas no site I.Love, pois não consigo achar o livro para comprar.
- Relâmpago é um barulho rabiscando o céu.
- Palhaço é um homem todo pintado de piadas.
- Sono é saudade de dormir.
- Arco-íris é uma ponte de vento.
- Deserto é uma floresta sem árvores.
- Felicidade é uma palavra que tem música.
- Rede é uma porção de buracos amarrados com barbante.
- Vento é ar com muita pressa.
- Cobra é um bicho que só tem rabo.
- Avestruz é a girafa dos passarinhos.
- Calcanhar é o queixo do pé.
- Chope é o refrigerante de adulto Há também outro clássico da literatura infantil, o Mania de Explicação, de Adriana Falcão (como o acima, também com lindas ilustras de Mariana Massarani), da Editora Salamandra.
 Ele é uma espécie de dicionário poético das coisas que não conseguimos definir para as crianças. Lindo. Não consigo ter preferidas, mas há algumas que adoro: - Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue. - Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros. - Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára. E, a mais apropriada para este momento: PERDÃO É QUANDO O NATAL ACONTECE EM MAIO, POR EXEMPLO. Sem pieguices, são elas, as crianças, são delas, as definições, que a gente deve ficar atento. Elas vão dizendo por aí, fazendo suas poesias. E o nosso papel, além de dar muito livro e enchê-las de possibilidades de palavras, é prestar atenção, quem sabe anotar, refletir, ou seja: aproveitar! Feliz Natal. O ano inteiro!
(Cristiane Rogerio)
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Escrito por Redação Crescer - 21/12/2007 |
Palavra de Criança
E não é que a promoção Contos do Quintal está chegando ao fim? Por semanas eu postei aqui resenhas feitas por crianças de livros que elas gostam e todas ganharam um exemplar do livro da Crescer, Contos do Quintal, que reúne 15 histórias publicadas na seção Quintal da revista.
Para este, Beatriz Negrão, de 9 anos, indica um clássico de nossa literatura infantil brasileria: Flicts (Ed. Melhoramentos), do Ziraldo, que nós já resenhamos na revista como um dos 55 livros infantis de todos os tempos.
Para 2008 nós continuaremos publicando aqui resenhas de criança. Por mais que nos especializemos e por mais que eu me envolva e curta demais os livros infantis, não posso perder a oportunidade de ter o olhar delas e contar para todos vocês. É o bom da leitura!
“Flicts... Flicts... É uma cor que não existe. É uma cor que tem nome mas não tem vida. O livro conta que Flicts vai passeando e encontra uma coisa que não vou dizer, mas ela tem muitas cores. Então o Flicts resolve perguntar se pode entrar e elas disseram que... Ah, isso você descobre no livro! Eu indico esse livro para as pessoas que se sentem sozinhas. Não, sozinhas não é a palavra correta. A palavra correta é que querem entrar em uma coisa, só que os outros não deixam entrar. Então leia! Você vai adorar!!!!!!!!!
(Beatriz Negrão, 9 anos) |
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Escrito por Redação Crescer - 19/12/2007 |
Uma noite (e um dia) para celebrar a palavra “Era uma folha de papel em branco. Fazia muitos planos para seu futuro, como a maioria das folhas de papel em branco que havia no pacote. Em seus sonhos mais felizes, planejava para si uma vida de serventia educativa. “Afinal”, pensava a folha, “o conhecimento é o bem mais importante para qualquer ser”. Por isso, em sua lista imaginária de sonhos, via a si mesma numa escola, como instrumento de aprendizado de inúmeras crianças, ou, então, no Ministério da Educação, e nesses sonhos toda a sua superfície era recoberta de projetos educacionais para a população carente de saber. A pequena folha acreditava no futuro. Até chorava de orgulho antecipado ao se imaginar como página de um livro, podendo difundir através de palavras o conhecimento. E, então, queria ser reciclada e reutilizada diversas vezes. Um dia estava presa em seus devaneios, dentro do pacote com outras folhas de papel em branco. Um menino se aproximou. Abriu o pacote e puxou para si a pensativa folha. Finalmente, pensou ela, poderei ser útil à educação dessa criança! O garoto prosseguiu, realizando dobraduras na outrora lisa folha, que não compreendia o que passava em seu corpo. Num instante, transformou-se em um avião de papel, que realizava manobras de guerra nas brincadeiras “bélicas” infantis. No fim da tarde, foi esquecida no chão, e logo surgiram mãos para amassá-la e jogá-la no lixo da cozinha, junto com os restos de alimentos desperdiçados. Em seu exílio, chorou, frustrada, e descobriu que o resto do feijão do almoço ao seu lado sonhava em acabar com a fome do mundo.”
 O jornalista Leandro Nomura, um grande amigo meu e das palavras, assistiu ontem a uma verdadeira homenagem feita à leitura. Tratava-se da premiação do 6º Concurso de Redação Ler é Preciso, realizado pelo Instituto Ecofuturo, que homenageou os jovens talentos do Brasil numa grande festa na última terça-feira, no Sesc Vila Mariana. A autora deste belo texto – a redação intitulada Um mundo novo em folha – é Ananda Araújo Lima Costa, de 17 anos, uma das 62 vencedoras. O tema desse Concurso era O Melhor Lugar do Mundo. Ele conta que, ao som do grupo Palavra Cantada e na presença de um dos maiores amantes das letras, José Mindlin, alunos e professores, de 7 a 84 anos, descobriram que podem mudar suas vidas e de suas comunidades por meio das palavras. “Isso porque, além de clássicos da literatura universal e computadores, os vencedores tiveram a árdua tarefa de decidir por consenso para onde iria o prêmio mais esperado do Concurso, uma Biblioteca Comunitária Ler é Preciso, com um acervo de mais de mil livros”. Mais informações, no site www.omelhorlugardomundo.org.br. Esta edição do concurso envolveu mais de 520 mil crianças, jovens e adultos – alunos e professores – de 7.200 escolas de todo o Brasil. Foram 30 mil textos. Trinta mil tentativas, 30 mil bons encontros com as palavras. E esses são resultados do quê? De incentivo à leitura, de festas à leitura. E são iniciativas como estas que precisamos, sem dramas, sem complicações. É dar oportunidade de sentar e ler. Para que elas sentem, leia e escrevam.
 Tem cena mais linda que esta?
(Cristiane Rogerio) |
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Escrito por Redação Crescer - 18/12/2007 |
Cadê a poesia? A escola me ensinou muitas coisas. Mas poesia eu aprendi em casa. Nas aulas, me diziam que poesia tinha somente a ver com rimas e versos. Em casa aprendi que poesia era um jeito nosso – muito nosso – de ver o mundo.
 Hoje eu estava ouvindo Chico Buarque que, por sorte, ouço desde muito criança. Mais precisamente hoje foi dia de “Construção”, em que o construtor é o compositor, interlaçando frases de um jeito único, fazendo poesia da vida de um trabalhador. Relembrem estas maravilhas: Sentou prá descansar Como se fosse sábado Ou Dançou e gargalhou Como se ouvisse música Eu aprendi poesia assim. Tinha os livros ao meu redor, mas música, ah, isso tinha demais. Por isso é tão importante a gente falar com elas desde sempre, muito, conversar mesmo, mostrar a vida, as cores, as formas, as palavras! E, para bom poeta, qualquer poesia basta.

(Cristiane Rogerio)
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Escrito por Redação Crescer - 14/12/2007 |
Palavra de Criança
A promoção Contos do Quintal (o livro que a Crescer lançou com 15 contos para crianças publicados na seção Quintal) continua ainda em dezembro. Você pode mandar uma resenha de um livro que seu filho adore escrita por ele ou por você (mas sob o ponto de vista dele, ok?). As mais bacanas eu publico aqui no blog também. Desta vez, quem indicou foi a leitora Lia Abbud, de São Paulo. A filha dela, Isabela, adora livros!
(Cristiane Rogerio)
"A Isabelinha, que tem um ano e três meses, ganhou o Ninoca Na Fazenda (Ed. Ática) faz apenas 3 dias. Mas ele já virou seu melhor amigo. Vai pra lá e pra cá com ela. Por que ela se encantou com ele? Porque ele tem uma série de "atrações" que estimulam sua participação: ela pode puxar alguns cantinhos do livro que fazem, por exemplo, o regador soltar água, o cavalo andar e o cachorro o rabinho. É ótimo, recomendamos."
(Lia, mãe de Isabela Abbud Silva, 1 ano e 3 meses) |
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