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Escrito por Redação Crescer - 28/08/2007 |
Xô, preguiça! Ainda ecoa em mim a experiência do Seminário Prazer em Ler, que acompanhei por 3 dias na Câmara Americana de Comércio em São Paulo. Promovido pelo Instituto C&A em parceria com a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o objetivo era uma franca conversa com professores e interessados em educação sobre ações para estimular a leitura entre crianças e jovens. Eu falei aqui sobre experiência. Ler é uma experiência. A gente não pode ler pelo outro. Bem como não pode pedir uma interpretação igual a sua. Talvez por isso seja tão difícil para muitos educadores. Não há receitas, fórmulas. A primeira palestras, da espanhola Teresa Colomer, que deu uma série de idéias para se trabalhar em aula, já quis deixar isso muito claro. Mas, a princípio, não adiantou: choveram perguntas de “como fazer”. Mais claro ainda deixou a mestre Nelly Novaes Coelho, que lançou este ano pela Companhia Editora Nacional uma reedição do Dicionário Crítico de Literatura Infantil e Juvenil Brasileira. O discurso dela terminou com um “vamos arregaçar as mangas e lutar enquanto as políticas públicas não dão conta” (não literalmente isso, esclareço). E Paulo Castro, diretor-presidente do instituto confirmou, ao dizer que não repassaria perguntas da platéia à professora, porque o objetivo maior do encontro não era ter respostas, mas fomentar perguntas. Questionar nosso papel, pensar a respeito. Dá uma preguiça, né? Mas é o que todos devemos fazer. Leitura é a porta para o mundo. E como é que a gente faz para discursos não serem vazios? Dedicando-se. Precisamos de tempo e livros, como lembrou Ana Maria Machado. Isso tanto no âmbito escolar como em casa. Se lotarmos as crianças de afazeres – e já exigimos dela, assim, o brincar livre – quando é que ela vai ler? E você, reserva um tempo para isso? Aproveite o motivo que tem hoje: a criança.
(Cristiane Rogerio) |
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Escrito por Redação Crescer - 24/08/2007 |
Entre a prosa e a poesia
 A beleza pesa tanto que a gente só dá conta dela com o outro. É exatamente isso que me anima a escrever todos os dias. Mas esta definição não foi minha. Foi do poeta Bartolomeu Campos de Queirós que hoje presenteou com palavras a mim e a cerca de 500 pessoas que lotavam o Seminário Prazer em Ler, uma parceria do Instituto C&A e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que aconteceu em São Paulo por três dias. E o que eu vi na palavra de Bartolomeu, autor de Ciganos, Sem Palmeira ou Sabiá e Histórias em Três Atos e tantos outros livros que eu não conseguiria citar, foi esta beleza.
Um dia antes de seu aniversário, ele falou à platéia de professores o que possivelmente muitos deles sabem, mas devem ser lembrados vez ou outra: nascemos com o dom de fantasiar e é ela que nos faz enxergar o futuro. E quem se dá o direito de fantasiar com tantas notas a tirar, cargos a concorrer, e opiniões a dar? É aí – bem aí - que a arte entra e deve ficar à vontade dentro de uma escola. “A educação pela arte é a educação pela paz. É conduzir o aluno a tomar posse do que é ser humano. Educar é estar sempre assustado com o mistério que é viver”.
 Mas do que a escola entende de arte? Para Bartolomeu esta relação está truncada. “A escola é servil, presta contas. E a arte não foi feita para servir a nada. E a escola tem mania de tudo que pega transformar em instrumento pedagógico. Quero ver o dia que a escola vai querer medir qual é a criança mais feliz no recreio. Para que serve a arte? Para me encantar”. Bartolomeu, do alto de sua poesia e vivência (inclusive em projetos com a secretaria de educação de Minas Gerais), não deixou a conversa cair para o pessimismo. “Nós vivemos um momento muito criativo na educação. O ministro já falou mal, os secretários já falaram mal, os professores já esgotaram a paciência. Agora é hora de inventar”. O escritor e ilustrador Ricardo Azevedo, também mestre no que diz, falou do mesmo assunto, com o mesmo entusiasmo e sob um panorama social. Reiterou ali seu discurso freqüente – mas nunca repetitivo – sobre a maneira que a escola utiliza a literatura e a poesia. Para ele, ensinamos crianças e jovens que tudo que lemos tem uma função objetiva. Estamos sempre preparados para utilizar algo, e acabamos passando do livro didático para os manuais técnicos. Mas precisamos da poesia e da literatura também. “Poesia não é para falar bonito, citar poeta no final de semana”. É por meio dela que vêm os temas que não podem ser ensinados como o amor, a paixão, a saudade, o medo. “E a escola deve dizer aos jovens que nem tudo na vida é mensurável. A literatura entra para aumentar a capacidade de expressão deles. E vai falar dos assuntos indizíveis”. Por estas e por tantas outras, Nelly Novaes Coelho, 84 anos, considerada a maior especialista sobre literatura infantil e juvenil do Brasil, também fez um discurso direto, apontando equívocos na escola e a falta de cuidado na preservação da língua portuguesa. Mas terminou o discurso dando força aos professores. “Vai demorar muito para arrumar a questão do ensino no Brasil porque depende do governo e o governo precisa de gente preparada, uma política administrada mais por humanistas e menos por técnicos”. Mas o que fazer enquanto isso?, perguntou ela aos professores. “Eu preparo minha mala de livros e vou para a sala de aula”. E dá-lhe literatura!
(Cristiane Rogerio) |
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Escrito por Redação Crescer - 23/08/2007 |
Carta para o autor Imagine você a possibilidade de enviar uma carta para Monteiro Lobato. Vá além: pense na idéia de ele responder a você e, contando uma história nova. Isso aconteceu e a Universidade de Campinas (Unicamp) tem um material reunido de documentos do escritor que praticamente criou a literatura infantil brasileira disponibiliza alguns momentos destes no site.
 Este foi o tema da especialista e professora Marisa Lajolo no Seminário Prazer em Ler, promovido pelo Instituto C&A em parceria com a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Se puderem conferir a carta, eu recomendo. É emocionante não só pensar neste privilégio no ano de 1936. Mas também porque, além de ele responder pessoalmente à carta, ela é personalizada de tal modo que ele coloca ali seu grande talento de misturar realidade e fantasia, de um jeito sutil, belo e certeiro. Que criança não gostaria? É por isso que ele representa tanto, não só para quem já leu, mas para outros autores que lemos também e que tanto foram influenciados por ele. A outra fera no assunto, Laura Sandroni, pouco antes de Marisa Lajolo – e em um belíssimo texto com a história da literatura infantil no Brasil e a revolução iniciada nos anos 70 -, citou que foi tão importante o trabalho dele que impediu o surgimento de outros autores por muitos anos. Lembro sempre também de uma coisa que a Ruth Rocha me disse certa vez. “As pessoas falam que as frases curtas no livro são influência da televisão. Isso é Monteiro Lobato!”.
(Cristiane Rogerio) |
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Escrito por Redação Crescer - 22/08/2007 |
Ler é experiência Andar Entre Livros. Este é o título do livro da espanhola Teresa Colomer é professora da Universidade de Barcelona, na Espanha, uma das mais conhecidas especialistas em literatura para crianças e jovens da atualidade. A publicação foi lançada hoje no seminário Prazer em Ler, organizado pelo Instituto C&A em parceria com a Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil, que até sexta-feira discute em São Paulo caminhos para, de fato, aumentar o número e o prazer de leitores em nosso país. O sugestivo – e por que não? – poético nome tem foco a literatura na escola. Ou seja: falar desta relação tão confusa. O dia de hoje do seminário – com uma platéia formada em maioria por professores – foi marcado pela discussão da formação dos professores. Em suma, Teresa defende que, primeiro, professores leiam muito e ofereçam variadas opções de leitura aos seus alunos – “por isso quantidade é importante, uma vez que a qualidade é estabelecida pela comparação”, disse. A outra premissa que saiu desta manhã é que sim, dá trabalho! Sua experiência diz que somente com muito planejamento os professores podem saber como fazer a melhor mediação de leitura possível. Mas não um planejamento cheio de regras e planilhas: um planejamento de possibilidades, típica atitude de quem preza pelo educar real. Por isso, outro recado de Teresa: não há fórmulas prontas. Ler é experiência. À tarde, a conversa foi sobre imagem. A escritora e ilustradora Angela-Lago (autora de Cenas de Rua, João Felizardo) expôs interessantíssimos dados históricos sobre a relação da escrita com a imagem, misturando angústia e paixão, claramente marcados por um tom de voz emocionado. “O livro é algo completamente apaixonante, é um objeto em movimento, tridimensional!”. Ler é experiência. Terminou a tarde a escritora Ana Maria Machado. Falar sobre ela é tão lugar-comum que a mediadora da mesa até se esqueceu de listar todos as referências. E não só porque Ana Maria nos presenteia há anos com clássicos como Bisa Bia, Bisa Bel (que está completando 25 anos) e o meu preferido Raul da Ferrugem Azul. Mas porque é reconhecida e membro da Academia Brasileira de Letras; porque é premiada em vários cantos do mundo; porque estuda e vive a literatura. E, quando fala, sabe o que diz. Ana Maria fez um discurso doído. Listou uma série de equívocos da relação escola e literatura de dar vergonha. Falou de sua experiência em encontros internacionais sobre formulação de políticas de leitura. Em belíssimo texto – que ela prometeu transformar em livro em breve – argumentou o porquê de sua proposta para que leitura, narrativa e histórias façam parte da formação dos professores, sim. Para ela, literatura na escola não é detalhe. É imprescindível. E tem de ser bem feito. Arrumar imediatamente erros como o de relacionar literatura com nota ou fazer ficha de leitura, caminhos estes que vão ao lado contrário do prazer. “Ler é se deixar levar. Ler à toa, à deriva”. E adultos podem guiar, mas têm é de permitir. E não dá para fazer pelo outro. Ler é experiência. Sabemos que falar de formação de professores no Brasil é um tanto complexo. Escola pública não é vista, professor é categoria que agora tem que ganhar prêmio se conseguir bons resultados! Sem dúvida alguma, é neles que os livros precisam chegar também.
Estas são minhas primeiras impressões de um dia ao mesmo tempo angustiante e esperançoso. Havia muita gente por lá. Muitos livros. Muita vontade. O Seminário Prazer em Ler continua até sexta-feira e eu contarei por muitos dias como é que a prosa e a poesia conversaram por lá.
(Cristiane Rogerio) |
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Escrito por Redação Crescer - 21/08/2007 |
Vencedores do 49º Prêmio Jabuti Eu já falei aqui várias vezes sobre prêmios e validades. Quando falamos de literatura infantil, falamos também do que faz as crianças sorrirem, se emocionarem, pensarem, descobrirem. E é um pouco do que acontece conosco. E literatura é isso: lidar com o inesperado e nos surpreender, como deve ser a arte. Isto tudo para eu introduzir aqui os vencedores desta área do 49º Prêmio Jabuti 2007.
Como já se esperava, Lampião & Lancelote (Ed. CosacNaify), a obra de Fernando Vilela, levou o primeiro lugar de melhor livro infantil e melhor ilustração. É um livro, claro, que teve os recursos necessários para se tornar uma obra. Mas não deixo de pensar como ele representa um respeito à criança, ao leitor, de que, sim, ela pode ter acesso ao melhor, mesmo que estranhe. Não à toa, ele está também na lista de CRESCER dos 30 melhores lançamentos do ano. Também de nossa lista, outro premiado: Felpo Filva, o nonsense elevado de Eva Furnari, que levou o 3º lugar na categoria Melhor Livro Infantil. Nosso colaborador Marcelo Cipis está também entre os vencedores: o segundo lugar de melhor livro de ilustração, o Cores das Cores (Ed. CosacNaify). Fiquei feliz também pela premiação de João Por um Fio (Ed. Cia das Letras), ao ilustrador Roger Mello. Seja por causa dos prêmios ou não, está aí mais um bom motivo para procurar saber mais e mais da rica produção em literatura infantil que o Brasil produz hoje.
Melhor livro de ilustração de livro infantil ou juvenil 1º Lampião & Lancelote, de Fernando Vilela (Ed. CosacNaify) 2º Cores das Cores, de Marcelo Cipis (Ed. CosacNaify) 3º Contos de Grimm – Branca de Neve e Rosa Vermelha e Outras Histórias, de Suppa (Ed. Manole)
Melhor Livro Infantil 1º Lampião & Lancelote, de Fernando Vilela (Ed. CosacNaify) 2º João por um Fio, de Roger Mello (Ed. Cia das Letras) 3º Felpo Filva, Eva Furnari (Ed. Moderna)
(Cristiane Rogerio)
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Escrito por Redação Crescer - 20/08/2007 |
Ai que ansiedade! Acabo de achar uma coisa bem divertida! O Blog Resumo do Cenário, do site Dobras de Leitura está fazendo uma enquete sobre o 49º Prêmio Jabuti, que vai anunciar os vencedores amanhã, dia 21 de agosto, às 10h! Façam suas apostas!!
(Cristiane Rogerio) |
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Escrito por Redação Crescer - 17/08/2007 |
Biblioquê? Eu aqui já falei de uma experiência que vivi com os educadores formandos e formados na Expedição Vaga Lume – um projeto de três paulistanas que leva livros e mediação de leitura a regiões amazônicas de difícil acesso. E tinham os pés-de-livros que vi em Parati durante a Flip e a Flipinha. E sabemos de vários outras idéias inusitadas com o objetivo de estimular a leitura seja onde for. Para mim, o mais incrível ainda foi a história de Luiz Amorim, um açougueiro do Distrito Federal– sim, um açougueiro – que, ao lado do professor José Humberto Brotas, criou o primeiro açougue-biblioteca do Brasil e agora se vangloria de um ponto de ônibus-biblioteca 24 horas. Você pode ler enquanto espera e pode levar para casa e devolver depois. Segundo o Jornal Nacional, isto faz com que salão de beleza e oficina mecânica, por exemplo, sejam locais para ler livros, sim. Acabo de ler outra. Uma universidade no interior da Venezuela criou as “bibliomulas”. Sim, bibliotecas itinerantes com livros carregados por mulas. Segundo o site da BBC, a iniciativa acontece em comunidades remotas da região do Vale do Momboy. Os animais levam porta-livros com diversos títulos e, claro, atraem principalmente as crianças. Quer que todo o mundo leia? Façam com que os livros estejam disponíveis! Se for em casa, que tenha na sala, no quarto, no banheiro, em cima da pia. Se for na escola, que esteja na sala de aula, no pátio (e, não somente numa sala trancada e com hora marcada!). Se o livro está caro, passeie por muitas livrarias, procure em sebos, peça emprestado, troque com os amigos. E, se você puder ir além, multiplique-se em ações como estas. Afinal de contas, se em açougue e mula pode, difícil arrumar desculpa, né?
(Cristiane Rogerio) |
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Escrito por Redação Crescer - 15/08/2007 |
Ler antes de saber
Ler é muito legal. Mas ler para uma criança que não sabe nenhuma letra é fantástico. Você descobre que não é apenas algo que se faz com as palavras. Você lê os desenhos dos personagens da história e aponta para a criança descobrir quem está falando. Você lê os sons, porque cada bichinho, cada objeto tem o seu e por isso, emitir "au aus" e "toc toc" ou "hummms" que o autor não colocou, são indispensáveis. E você lê todas as cores da página, contando o que é vermelho, o que é rosa, o que é azul. É uma leitura cheia de sons e mímicas, caras e bocas. Eu sei que minha pequena Isabella não vai ter dois anos para sempre e que, quando descobrir as primeiras letras, vai ficar tão maravilhada quanto eu fiquei um dia. Mas eu espero sempre lembrá-la que um livro sempre dá milhões de outras possibilidades do que apenas ler o texto. Vai dizer que você nunca cheirou um livro novo...
(Mônica Brandão) |
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