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Escrito por Redação Crescer - 30/07/2007 |
Espalhando luzes
A cena é simbólica. Estou em uma das vivências do Congresso Vaga Lume, um encontro de capacitação com 74 pessoas que atuam na Expedição Vaga Lume, mediando e promovendo leituras em 19 municípios da Amazônia Legal. Os livros estão espalhados no chão. São dezenas. O momento ali é uma gincana em que de acordo com alguns critérios (“livros de capa dura” ou livros de “ana maria machado”), os educadores têm de criar acervos. Brincadeira feita e acabada, tudo volta para a estante – móveis de madeira móveis, que são levados às comunidades que participam do projeto. No acervo, tem de tudo um pouco: Eva Furnari Lygia Bojunga, Ricardo Azevedo, Ziraldo, Mariana Massarani, Babette Cole, Fernando Vilela (sim, o sofisticado Lampião & Lancelote1), Guimarães Rosa, Clarice Lispector...
Depois foi hora de ouvir experiências. Os educadores contaram uns para os outros suas experiências como primeiros capacitadores ou capacitados. É que a Associação Vaga Lume – organização civil sem fins lucrativos que tem como objetivo principal literatura a regiões de difícil acesso – promove também cursos para formar multiplicadores neste grande projeto. E, ali naquela sala, estavam um pouco de cada grupo. E todos felizes porque, por meio dos livros, podem acreditar em um futuro diferente. E como é emocionante assistir a tudo aquilo. Ver o livro transformando as pessoas. A professora Conceição Lima de Souza, que dirige uma escola de ensino fundamental em Altér do Chão, município de Santarém, Pará, me contou que já vê em alguns alunos o talento para escrever e desenhar pelo contato que tiveram com os livros. “Há filhos que cobram das mães as leituras e acabam fazendo cada uma delas procurar a escola e aprender a ler. Hoje tem pai e mãe mediando leitura também”. E, como você viu na lista que citei acima, os livros – todos novos, comprados pela associação que está sempre em busca de novos parceiros – não sofrem preconceito de autor, cor de personagem ou história, tema ou tamanho. Eles só tiveram um problema aqui: o frio. Mas não foi impedimento para eles fazerem um passeio inesquecível: o Museu da Língua Portuguesa. “Um espetáculo”. “Dá orgulho da nossa língua, dá vontade de aprender ainda mais a língua portiguesa”, foi o que eu mais ouvi hoje. Para Conceição, falta ainda realizar um sonho: levar um escritor ou ilustrador para visitar as comunidades.
(Cristiane Rogerio) |
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Escrito por Redação Crescer - 27/07/2007 |
O sétimo Harry e os catastrofismos
Não, não vou comentar aqui o final da série Harry Potter, com o lançamento do sétimo volume, Harry Potter e as Relíquias da Morte. Mas é que algo me incomodou a semana inteira. Em meio à avalanche da mídia mundial em cima do lançamento do livro e também da repercussão do quinto longa-metragem nos cinemas, o caderno Mais, da Folha de S. Paulo, publicou um texto do New York Times sobre o efeito do bruxo no hábito de ler das crianças. Sim, a matéria confirmava se tratar de um fenômeno, falava dos 325 milhões de exemplares vendidos, que antes dele não era tão fácil assim ver adolescentes em filas em portas de livraria ou crianças devorando 700 páginas de um livro. Mas aí, o texto diz “alguns pesquisadores dizem que a série, afinal, não atraiu tanto as crianças a ponto de abandonarem seus game boys e se agarrarem a um livro”. Depois, continua, dizendo que alguns leitores foram se assustando conforme crescia o número de páginas a cada volume, e que Harry não teria tanta repercussão quanto títulos que refletem com mais realismo suas vidas cotidianas. Em seguida, afirma que educadores dizem que a série sozinha não pode reverter o declínio da leitura. E que não era bem o que alguns pais e educadores esperavam. Vamos lá. Que tal não passar mais a idéia de isto ou aquilo? Que tal lidarmos com o fato de que as crianças hoje podem conviver com games boys e jogos de computador e livros? É claro que terá de ter tempo para tudo. É claro que não será como antigamente. Mas dá para fazer. Se não vamos perder nosso tempo lamentando, cheios de ranços, teorias e estatísticas e sentar com a criança para ler que é bom, nada! O caminho mesmo será tirarmos as crianças de frente da TV ou computador à força? Ou isso só vai mostrar para ela que ler é como remédio: “tem gosto amargo, mas tem que tomar”! Se for natural para os adultos, muito melhor. Não seria bem mais legal conversar com a criança sobre o filme, que ele vem do livro, mas que, sim, lá tem muuuuiuto mais?
 E o que é isso de acha que uma série de livros que fazem sucesso resolvem um problema de educação? Por que ler é hábito, não é somente puro prazer. Hábito como os de higiene, os de cumprimentar as pessoas, os de sorrir, os de ouvir música, passear no parque todos os domingos, ir à casa dos avós. E, por mais que Harry seja um excelente bruxo, ele não veio para “resolver” nada para os pais. Ele é literatura: dá fantasia, asas à imaginação, emociona, aborda medos de primeiro dia de aula, o duro dia-a-dia de sentimentos na escola, o lidar com a morte e com as contradições e ambigüidades de todos nós. Sem catastrofismos! E vamos torcer que venham muito mais, e que mais pais, autores e editoras se toquem do que realmente faz uma criança ter prazer por ler.
(Cristiane Rogerio) |
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Escrito por Redação Crescer - 24/07/2007 |
Histórias para todas as idades A Ana Cláudia, que é editora-assistente de gravidez e comportamento da CRESCER, me contou esta história e eu pedi que ela mesma contasse a vocês. (Cristiane Rogerio)
Filho não cansa de surpreender a gente. Desde que minha filha Laura, hoje com 14 anos, era bem pequena eu costumava ler para ela, principalmente antes de dormir. No começo, livros bem simples, com muitas imagens e poucas palavras, próprios para a idade dela. Conforme ela foi crescendo as escolhas também foram se modificando para acompanhar seu desenvolvimento até que chegou o dia em que ela aprendeu a ler. A Laura não se continha de felicidade por poder ler as histórias para mim também. De início, como ela não tinha prática, dizia: “mãe, hoje eu leio uma página e você lê o resto da história, tá bom?” Ela lia, depois era minha vez. Mantivemos esse hábito até poucos anos atrás. Nem sei bem como foi que deixei de ler histórias para ela. Só voltei a pensar no assunto na semana passada. Meu marido viajou e ela pediu para dormir na minha cama. Quando fomos deitar ela pediu: “Conta uma história para mim”. Como concordei, ela pulou da cama e correu para o quarto dela escolher um livro.
Fiquei muito surpresa quando voltou com o Livro de Histórias (da Companhia das Letrinhas), sentou ao meu lado na cama e pediu para eu ler Os duendes e o sapateiro. Para quem não conhece, esse livro traz histórias infantis clássicas como Chapeuzinho Vermelho, Os três porquinhos e Cachinhos Dourados e os três ursos. Não é exatamente uma escolha comum para uma adolescente, conforme ela mesma se autoproclama há algum tempo. Foi ótimo! Primeiro, porque, mais uma vez, ficou claro o quanto os adolescentes têm um pé na infância e outro na vida adulta. Segundo, porque ficou ainda mais clara a universalidade da leitura. Livros para crianças têm graça para todo mundo. Crianças, adolescentes e adultos. Depois de ler para ela, fiquei folheando o livro para relembrar as outras histórias e conferir as ilustrações. E mais, percebi o quanto meu hábito de ler para ela desde pequena a ajudou a gostar de histórias e de livros, principalmente. Como meu marido ainda está viajando, minha “pequena” continua dormindo comigo e, às vezes, fica lendo até muito depois de eu mesma cair no sono!
(Ana Cláudia Cruz) |
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Escrito por Redação Crescer - 20/07/2007 |
O sexto livro Estamos na véspera do lançamento mundial do sétimo livro da série Harry Potter. Enquanto fãs aguardam - outros já correm pela internet para saber tudo antes - nosso colega Pedro Salgado Veiga, de 11 anos, publica a última resenha (o que ele vem fazendo aqui, toda as sextas-feiras). Mas não acabou: na sexta que vem ele conta já o que achou da última novidade de Rowling. Quem sabe traduzimos aqui alguma parte e com o comentário dele?
(Cristiane Rogerio)
No sexto livro da série Harry Potter precisa encarar o sexto ano de Hogwarts e ainda dar um jeito de acabar com Lord Voldemort sem a ajuda de seu querido padrinho, Sirius Black, morto poucos tempo antes. Harry é escoltado por Dumbledore da casa dos seus tios à casa de um professor aposentado e, por fim, para a casa da família Weasley. Lá Harry descobre que Gui, um dos irmãos de Rony, vai se casar com Fleur Delacour. E a maior felicidade do verão é que eles recebem as notas dos N.O.M's, que são os exames necessários para seguir as matérias de uma determinada carreira. Harry, Rony e Hermione passam com facilidade nas matérias necessárias. Devido às ações de Voldemort, é eleito um novo ministro da magia: Rufo Scrimgeour, o antigo chefe dos aurores. E o ministério da magia passa por reformas para tentar evitar os ataques das forças das trevas. Harry é informado por Dumbledore que ele lhe dará aulas particular durante o ano. O campeonato de quadribol continua. Harry vira o capitão do time da Grifinória e Gina, irmã mais nova de Rony, entra para o time na posição de artilheira. Há um clima de medo na escola pois agora a volta de Voldemort foi confirmada pelo Ministro. Muitos pais e parentes de alunos estão sendo atacados e esse clima se agrava quando Catia Bell , jogadora da Grifinória, é amaldiçoada no momento em que segura um colar. E depois Rony também acaba tomando uma bebida envenenada. Os dois eventos tinham como objetivo, matar alguém. Para desgosto de todos, Snape vira o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, e Horácio Slughorn volta à escola depois de uma duradoura aposentadoria para dar aulas de poções. Slughorn, muito ambicioso, sempre manteve um grupo de "favoritos", o clube do Slug, que é um grupo para manter contato de modo que um possa "ajudar" o outro em algum trabalho. Com isso, ele chama alunos famosos como Harry, inteligentes como Hermione e com parentes conhecidos como Blas Zabini. Quando Snape dava aulas de poções, a média que era necessária para continuar a ter aulas depois dos N.O.M.'s era “ótimo”. Harry não tinha conseguido essa nota e precisava dela para continuar a ter as aulas de poções e seguir a carreira de auror. Mas, com a entrada de Slughorn, a média para passar passa a ser mais baixa e Harry pode continuar a ter as aulas e sonhar com a carreira de auror. Como ele achava que não poderia ter as aulas, ele é obrigado a usar os materiais da escola. O livro de poções que pega emprestado do professor tem várias anotações sobre a preparação de poções com algumas dicas. Na primeira aula, ele decide testá-las e sua poção é a melhor da classe. Com o passar do tempo, ele é considerado por Slughorn o melhor do ano na matéria. O dono do livro auto-denominado Príncipe Mestiço é um gênio em poções, mas não se contenta a isso: ele também inventa feitiços como o Levicorpus, que deixa a pessoa no ar de cabeça para baixo e o Sectumsempra, que faz sair sangue do corpo da pessoa como se ela tivesse sido cortada por uma espada invisível. Nas aulas com Dumbledore, através de lembranças extraídas de certas pessoas, eles descobrem o passado de Voldemort. A época em que sua mãe fugiu de casa, como seu avô e tio foram presos e mortos, sua vida em um orfanato, a época da escola e a descoberta mais importante: que ele, através das artes das trevas, dividiu sua alma em outras seis partes além do corpo denominadas horcruxes. Uma delas era o diário da câmara secreta e, outra, um anel que Dumbledore destruiu no verão. No final do livro, uma morte terrível acontece, que vai prejudicar a todo mundo bruxo principalmente a Harry.
(Pedro Veiga Salgado) |
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Escrito por Redação Crescer - 18/07/2007 |
A ânsia por muitos livros
Um dos motes deste blog e da parte que dedicamos à literatura infantil aqui em CRESCER é ajudar os adultos consumidores de livros para crianças a triar boas obras em meio a tanta produção no Brasil. As livrarias estão tão cheias deles – pelo menos as de São Paulo, que conheço mais – que separam espaços especiais. Como em qualquer mercado, tem de tudo: bons, ruins, literatura, didáticos, paradidáticos, específicos, gerais, com e sem poesia (em vários sentidos). E sempre tentamos abordar isso de alguma forma. Porque a ansiedade diante de tanta oferta é todos. Aqui na redação nós recebemos muitos exemplares; vou às livrarias e descubro ainda muitos que não vi; pesquiso ou converso com alguém que sempre me dá mais uma dúzia de referências... é uma loucura. E um dos melhores momentos da minha ida à Flipinha (a feira dedicada às crianças dentro da Flip que estive no início deste mês e que já falei em posts anteriores) foi ouvir o escritor Bartolomeu Campos de Queirós (autor de Sem Palmeira ou Sabiá, Estórias em 3 Atos, Ciganos, entre outros tantos) que fez poesia contando histórias de sua vida. E um dos recados que ele quis deixar às crianças, foi este aqui: “A coisa que eu mais gosto até hoje é reler um livro. Acho que é melhor que ler. Quando eu pego um livro e leio de novo eu vejo como sou ignorante e deixei passar isso, aquilo e aquilo outro. O livro é um objeto que sempre rejuvenesce a gente. E que a gente não tenha ansiedade de ler muitos livros. Não vale a pena. É melhor ler um livro muitas vezes – igual a um quadro que você tem na parede da sala, que você vê muitas vezes, ou um CD que você ouve muitas vezes. Leia um livro muitas vezes. Eu fico pensando se esse negócio de ler muitos livros de fato faz leitores. Ou se o que faz leitor é a curiosidade que ele tem para saber o que está atrás das letras. Eu não escrevo tudo. Deixo muita coisa para o leitor pensar. Não quero contar a história toda: chega um momento em que eu paro e falo ‘agora o leitor vai fazer’. Quando escrevo ‘a casa é bonita’, para um leitor ‘casa bonita’ é casa com pai e mãe; para outro, é casa com comida; é casa com colchão. Eu nunca sei o que o outro leu na minha frase. E isso é que é a literatura: o leitor conversa com o escritor e constrói uma terceira obra que nunca vai ser ditada. Aí que é a literatura está é aí que ela vive. Faça isso. Leia outra vez. Leia de novo o mesmo, com outra atenção. Tem livros que eu leio a vida inteira. E tem uma coisa importante: a memória. Para escrever, precisa ter memória. E saber que a memória tem o tempo inteiro a fantasia para intrometer nela. Não existe uma memória pura. Toda memória é cutucada pela fantasia. E não tenha medo de fantasiar: ela quem cria o mundo. Se alguém te perguntar algum dia do que é feita a literatura, podem dizer que a literatura é feita de fantasia. Tudo que é real no mundo é uma fantasia que ganhou corpo. Fantasia é aumentar o mundo. Todas as pessoas que não fantasiam só repetem o que está feito. O novo é sempre filho da fantasia. Conversem com um livro que vocês estão conversando com a fantasia. Deixe a cabeça voar. Leiam sempre. Leia tranquilo, com cuidado, com prazer. Não leia porque que tem que ler. Ninguém tem que ler. Atrás de um filme bonito tem um bom roteiro. Atrás de um teatro bom tem um belo texto, atrás de uma novela tem um bom texto. A gente lê o tempo inteiro.”. Nem preciso comentar mais nada. Mas acho que são ótimas palavras para a gente se inspirar e pensar em como a gente está passando para as crianças o que é uma boa relação com os livros. Não é??
(Cristiane Rogerio) |
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Escrito por Redação Crescer - 16/07/2007 |
Os nossos pelados no livro infantil Durante um dos bate-papos que tive na Flipinha com a autora e ilustradora Mariana Massarani rolou uma conversa sobre os desenhos de crianças nuas nos livros infantis. Isso porque no novo livro dela, O Toda Criança Gosta... (Ed. Manati) – do qual já falei aqui – há entre os desenhos crianças nuas. Tem todo o contexto, claro. Como tinha em O Banho!, lançamento dela de 2006 e que está na lista da CRESCER dos 30 melhores lançamentos do ano (veja o link ao lado). Ela contou que certas crianças reagiram com estranheza, uma disse até “não gosto de criança pelada”. “Uma menina apontou e disse: ‘o que é isssssssssssto!’ e pôs o dedo em cima do ‘peru’. Eu disse: ‘ué, nunca viu ninguém nu? Você tem irmão?’. E ela respondeu: ‘meu irmão tem vin-te-e-se-te-anos! E eu sou a ca-çu-la da família!’. Ela estava revoltada, parecia uma beata do século 19! E tinha uns sete anos de idade”, contou-me Mariana.
 Na semana seguinte, a nossa repórter Thais Lazzeri encontrou a notícia no site UOL que dizia que a editora alemã Hildesheimer Gerstenberg ficou toda feliz quando recebeu um pedido da fornecedora de livros infantis nos EUA, Boyds Mills Press, que queria uma série da autora Rotraut Susanne Berner. No entanto, a editora americana quis fazer algumas modificações. O motivo seria dois nus que fazem parte de uma exposição na história do livro. Eu não vi o livro, mas vi estas imagens em outros blogs que discutiram o assunto (são estas que vocês estão vendo).
Segundo o jornal alemão Der Spiegel (de onde foi disponibilizada a notícia), os desenhos são “realmente inofensivos” e que “o mini-pinto da estátua não tem nem meio milímetro”. E completam a notícia: Berner é uma das autoras mais vendidas em livros contemporâneos infantis. E a série, que acompanha a vida diária de crianças e adultos e já é a mais vendida em 13 países, do Japão às Ilhas Faroë. Vivemos a era dos extremos. Lutamos contra a “erotização infantil” e tendo a rejeitar reações americanas como estas. Será que merecia tal preocupação? Isso cabe em um país como o nosso?
(Cristiane Rogerio)
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